Autor: Pr. Michel Augusto
Um certo líder numa conferência transmitida na TV, tratou do texto em Gn 12.1-3, citando Abraão como modelo de vida a ser seguido.
Em seguida, como é comum, fugiu do texto e do contexto, e citou outros personagens bíblicos como modelos de imitação.
Em um momento, ele disse que Deus não pode ser imitado, pois não o vemos.
A seguir, disse que é preciso imitar esses personagens para recebermos as promessas, e produzirmos resultados, deixando de citar que a promessa do Antigo Testamento trata-se de uma aliança redentiva que progressivamente alcança o ápice em Cristo.
Ao citar Jesus, o pastor o colocou no patamar dos outros personagens bíblicos, deixando de exaltar sua divindade, salvação e senhorio.
A que conclusão eu chego? Que o sermão moralista e pragmático, que coloca os personagens bíblicos como modelos de imitação, é um perigo!
Os personagens bíblicos são homens imperfeitos que apontam para a justiça perfeita de Cristo, a qual devemos imitar. Cristo é o modelo divino e humano digno de ser imitado. Ele é o único justo que poderia nos justificar perante o Pai, e por isso tudo aponta para ele (Lc 24.27).
O motivo da criação é a glória divina; o motivo da redenção anunciada (Gn 3.15) e consumada na encarnação, vida obediente até a cruz, ressurreição e ascensão, continua sendo a glória divina. Logo, toda imitação deve apontar para o Redentor.
Paulo apontou para Cristo quando pediu para os líderes o imitarem (1 Co 11.1).
Devemos encorajar uns aos outros através da nossa vida piedosa, mas sempre nos colocando como indignos diante da dignidade perfeita de Cristo.
O nosso testemunho deve ser vivo, mas sem as amarras do moralismo, pois tudo o que fazemos é por graça mediante a fé justificadora em Cristo, que nos leva à santificação.
Que fujamos de sermões moralistas, que colocam Cristo no mesmo patamar dos demais personagens da Bíblia.
Que a nossa pregação seja sempre para a glória de Deus! E Deus só pode ser glorificado quando Cristo é pregado!
