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Fonte: Thomas Ascol (Founders Ministries)
Tradução: Michel Augusto

Erroll Hulse descreveu apropriadamente Spurgeon como um tipo de pregador “uma vez por século”. Não é de admirar, então, que sua vida e ministério continuem cheios de instrução para os pastores 125 anos após sua morte. Spurgeon, embora esteja morto, ainda fala.

Fui ajudado pelo testemunho dele de mais maneiras do que posso contar. Através de seus sermões, palestras, cartas, sabedoria e exemplo, fui instruído, repreendido, desafiado, corrigido, inspirado e confortado.

Após eu ter escrito cinco lições que os pregadores podem aprender com Charles H. Spurgeon, novamente apresento mais algumas lições.

1 – A prioridade do nosso ministério deve ser a pregação.

Spurgeon vivia em função do avanço do evangelho. No seu cinquentenário, ele fundou 66 instituições, entre elas, uma faculdade para treinar pastores e instituição de cuidado para crianças. Mas nenhuma dessas atividades roubou o espaço e a prioridade da pregação em seu ministério. Ele disse aos alunos:

A atividade principal de um ministro do Evangelho é o púlpito. Visitar os doentes, as ovelhas de Cristo, e outras atividades sociais ou acadêmicas são importantes, mas a pregação deve estar em destaque.

O príncipe dos pregadores negou sistematicamente ofertas vultuosas para palestrar em assuntos diversos, por estar focado na pregação do Evangelho. Ele disse: Saber falar latim não será tão importante do que dizer não para aquilo que rouba a missão da pregação.

2 – Invista muito tempo no trabalho de pregação

Spurgeon reconheceu que a labuta da pregação era árdua e invistiu nisso. O teólogo metodista Adam Clarke o influenciou e deveria nos influenciar também: “Que o trabalho te mate e depois a oração o ressuscite novamente.“

Todos que desenvolve o ministério de pregação sabem o como isso é desgastante. Em função do esforço pela pregação, Spurgeon ficou doente com gota e reumatismo. Numa entrevista aos 40 anos, ele disse que “os esforços de todos os domingos lhe custaram quarenta e oito horas de dor”. Aos colegas pastores, disse:

Em detrimento da doença, não desista do seu trabalho. Calvino trabalhou, mesmo vivendo com quarenta e nove doenças, mas que trabalho maravilhoso ele fez! John Owen, embora tenha enterrado dez filhos, e depois sua esposa, não parou de pregar.

3 – Pregar com paixão evangelística

Spurgeon tinha uma obsessão pela evangelização. Desde a sua conversão até o dia de sua morte, Spurgeon se enfadava pelas almas. Nesse ponto, ele ensina muito aos batistas calvinistas modernos. Ficamos felizes e gratos a Deus pela renovação teológica e retorno à teologia de Spurgeon nos últimos 25 anos. Mas devemos também aplicar a paixão evangelizadora de Spurgeon para os dias atuais.

Spurgeon era um calvinista com “C” maiúsculo e um batista com “B” maiúsculo, mas seu CRISTIANISMO com todas as letras em maiúsculo. Ao falar aos alunos da faculdade dos pastores, ele reconheceu a necessidade de fazer um Batista viver sua identidade e herança teológica e também tinha uma convicção de que os arminianos precisavam de ajuda para reconhecer a graça em todo o processo da salvação. Mas o seu ardor evangelístico era focado na regeneração da natureza em Cristo e não nas visões peculiares do cristianismo. Os fariseus é que viviam de proselitismo, mas nós temos o objetivo de formar homens de Deus.

A paixão por ver as pessoas convertidas, para Spurgeon, era inexcível. Ele viu, com razão, que a glória manifestada de Deus estava em jogo. “Mais uma vez, se quisermos ser vestidos pelo poder do Senhor, devemos sentir um anseio intenso pela glória de Deus e pela salvação dos filhos dos homens. Mesmo quando somos mais bem-sucedidos, devemos ansiar por mais sucesso. Se Deus nos deu muitas almas, devemos nos esforçar por mil vezes mais. A satisfação com os resultados será o impulso do progresso. Nenhum homem é bom que pense que não pode ser melhor. Ele não tem santidade que pense que é útil o suficiente. . . .”

Essa paixão evangelística inevitavelmente determinará como um homem prega. Isso trará a necessidade da clareza na pregação. “Devemos falar de tal modo que mulheres simples possam entender.” O objetivo de ver almas ganhas para Cristo através de sua pregação também fará com que você trabalhe duro para ser interessante. “Como, em nome da razão, as almas podem ser convertidas por sermões que acalmam as pessoas para dormir?” O humor pode desempenhar um papel legítimo na pregação por esse mesmo motivo. Spurgeon argumentou que “causar um sono profundo é mais danoso que causar um riso momentâneo”.

4 – Pregue as doutrinas da graça

Spurgeon era mais do que um calvinista genuíno e consistente. Ele tinha um compromisso com as doutrinas da graça. Na dedicação do Tabernáculo Metropolitano em 1861, ele teve cada um dos cinco pontos do calvinismo expostos por diferentes pregadores. Ele mesmo disse naquela ocasião:

Essa doutrina que chamamos de “Calvinismo” não surgiu de Calvino; acreditamos que surgiu do grande fundador de toda a verdade. Talvez o próprio Calvino o tenha derivado principalmente dos escritos de Agostinho. Agostinho obteve seus pontos de vista, sem dúvida, através do Espírito de Deus, do estudo diligente dos escritos de Paulo, e Paulo os recebeu do Espírito Santo, de Jesus Cristo, o grande fundador da dispensação cristã.

Logo no início de seu ministério, ele pregou um longo sermão sobre eleição incondicional no qual disse: “Adoro proclamar essas fortes e antigas doutrinas, que são chamadas pelo apelido de calvinismo, mas que são certamente e verdadeiramente a verdade revelada de Deus como é em Cristo Jesus”.

Em outro momento de pregação, ele entreteve um crítico imaginário que se opõe às suas visões calvinistas: “Se, de fato, eu acreditasse que não havia um número que deveria ser salvo, eu não poderia estar neste púlpito novamente.”

Spurgeon pregou essas doutrinas ao longo de todo o seu ministério. No seu cinquentenário, ele disse que devia ao ministério da pregação, todo o avanço do seu ministério. Ele continuou explicando que saturava seus ouvintes com a doutrina da soberania divina da eleição”.

5 – Avance na labuta como pregador

O trabalho de pregação é tão importante que os pregadores devem crescer nessa labuta. Esse crescimento envolve a compreensão da Palavra—tornando-se firmemente fundamentado nas doutrinas que Deus revelou lá.

Essa labuta passa também pela boa instrução em teologia, não considerando os escárnios daqueles que se queixam disso por ignorância. A falta de base teológica para os pregadores trazem muitos erros.

Nesse crescimento como pregador, a parte doutrinária é uma parcela significativa desse desenvolvimento, mas não é tudo. Spurgeon não esqueceu da área homilética nesse processo. Embora reconheça que alguns homens têm dons maiores do que outros, ele incentiva cada homem a perceber que ele sempre pode se tornar melhor do que é.